“Queremos ter poder de escolha”: qual é a importância do Dia da Visibilidade Trans? 

Fundo de cores azul, branco e rosa, fazendo referência à bandeira trans. No centro, nossa tradutora virtual Maya está fazendo o sinal de "eu te amo" em Libras. A ilustração da bandeira trans (fundo azul, com duas faixas horizontais rosas, no centro, uma faixa horizontal branca) aparece em destaque.

Fundado pela ativista Rachel Crandall (EUA) em 2009, o Dia Internacional da Visibilidade Trans é comemorado anualmente em 31 de março para relembrar a luta e a resistência da comunidade trans em todo o mundo. 

Nessa data tão importante, nós da Hand Talk queremos não apenas dar visibilidade e trazer dados e informações relevantes sobre a causa, mas, também, compartilhar a perspectiva de Safira Rocha, que é uma HandTalker, instrumentista e cantora. Acompanhe!

👉 Você sabia? No Brasil, o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti é celebrado desde 2004 em 29 de janeiro — é mais antiga que a data internacional!

O Dia Internacional da Visibilidade Trans não é apenas uma celebração dos direitos da comunidade, mas também uma oportunidade de evidenciar a existência, sobrevivência e, principalmente, a resistência da comunidade trans.

Safira explica: 

É importante entender que à comunidade trans e travesti são negados acessos básicos. Lazer, presença nos lugares e até a possibilidade de existir nos são retirados ,o que nos coloca em lugares de exclusão social e vulnerabilidade. Queremos ter a possibilidade de escolha, como qualquer pessoa cis tem

O Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis há 16 anos seguidos. Mesmo assim, a comunidade trans brasileira conquistou garantias legais, como a retificação do nome, adequação de documentos oficiais, presença na política e apoio em casas de acolhimento. 

E no âmbito internacional?

Vamos ver o que dizem algumas organizações mundiais sobre a transexualidade:

  • 🔸A ONU (Organização das Nações Unidas), tem o propósito de “promover e encorajar o respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais para todas as pessoas”, e, entre suas diretrizes, está a eliminação da discriminação contra as pessoas trans.

👉 Você sabia? Não foram encontrados dados globais sobre a comunidade trans, o que vai de encontro à escassez de cuidados citada por Safira.

As pessoas cisgêneras — ou seja, que se identificam com o gênero atribuído ao nascer — ocupam a maioria das posições de tomada de decisão, tanto a nível de sociedade quanto de trabalho.

Por isso, Safira chama a atenção para as responsabilidade das pessoas cis, convidando-as a se questionarem: “Por que não tenho colegas de trabalho trans?”; “Por que as empresas não têm lideranças trans?”.

Nós [pessoas trans] somos criativas, proativas, autônomas, temos que nos reinventar a todo instante para sobreviver. Temos experiência, resiliência e adaptabilidade que pessoas cis dificilmente conseguiriam entender.

Estas qualidades, cada vez mais valorizadas pelas lideranças inclusivas, são essenciais para organizações que buscam ser mais diversas, acessíveis e alcançar melhores resultados. Afinal, se tivermos apenas pessoas iguais, as trocas não são tão ricas e sem diferentes perspectivas!

Essa responsabilidade pode ser notada diariamente se compararmos, por exemplo, capacitações de pessoas cis e pessoas trans:

Conheço diversas pessoas trans com muitas qualificações, mas que enfrentam barreiras para ingressar no mercado de trabalho devido à discriminação. Enquanto isso, muitas pessoas cis ocupam vagas sem tantas aptidões. O quão qualificadas precisamos ser para uma vaga? O que vocês querem a mais da gente?”.

Ainda sobre qualificação, segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais),  no Brasil menos de 0,3% da comunidade ocupa cadeiras no ensino superior. Outra pesquisa indica que 82% das pessoas trans abandonam o ensino médio entre 14 e 18 anos de idade. E por quê? 

Safira explica:

Infelizmente sofremos transfobia institucional em várias organizações de ensino, e muitas pessoas da comunidade abandonam a escolaridade”.

Safira deixa claro que a educação é essencial para a comunidade trans, porém, não basta educação – junto com ela, é preciso ter oportunidade e inclusão.

Para além da escolaridade ou graduação, nós lutamos por um bem comum: a oportunidade de trabalhar com dignidade e respeito, na área que mais nos identificamos”.

Para além de somente contratar pessoas trans através de vagas afirmativas ou de ampla concorrência, Safira Rocha aponta algumas possíveis iniciativas para instituições diversas, entre elas: 

  • 🔸Criar comitês voltados para o debate da causa trans;
  • 🔸Realizar ações e iniciativas, como conteúdos, dinâmicas de comunicação interna, capacitações e afins;
  • 🔸Convidar pessoas trans de fora da empresa para dar palestras e liderar projetos. Estes podem ser sobre a visibilidade trans, mas também contemplar outras especialidades, como sustentabilidade, empregabilidade, ESG e outros temas.
  • 🔸Para além de incluir pessoas trans na operação, ter lideranças trans é essencial para oferecer um real protagonismo e uma visão estratégica que somente uma pessoa trans teria!
Fotografia de Safira. Ela é uma mulher de pele branca, e cabelos ruivos longos.

» Leia também: Comitê de Diversidade: o que é e como criar na sua empresa?

Além dos pontos abordados neste texto (carreira, educação, visibilidade internacional), outras questões como classe social, saúde mental e consciência de gênero também devem ser consideradas.

Aqui na Hand Talk, acreditamos que a inclusão é a chave para um futuro mais diverso e para todos – por isso, oferecemos soluções de acessibilidade digital para que o maior número de pessoas possível  aproveite a web da melhor forma. Quer tornar o seu site mais acessível? Fale com especialistas clicando aqui.

E voltando à pergunta, talvez as lutas principais sejam:

A possibilidade de fazer escolhas, permanecer em diferentes cenários sociais, escolher onde e com o que trabalhar, havendo opções de crescer e alcançar o sucesso, como qualquer pessoa cis tem.

E isso também reflete no ambiente corporativo: quanto mais organizações contarem com pessoas trans, mais elas terão a oportunidade de se posicionar, demonstrar seu legado e ocupar novos espaços.

Afinal, como Safira disse: “não basta ter um corpo (de trabalho) diverso – é preciso ter uma “‘corpa’ travesti”.

👉 Você sabia? Safira escreveu um lindo texto para o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Leia o texto na íntegra clicando aqui.


Diante dos dados apresentados, quais são as iniciativas que você e a sua organização podem aplicar a partir de hoje?