“A vontade de fazer o certo me fez desbravar caminhos”: mulheres na tecnologia 

Fundo de cor roxa. Nossa tradutora virtual Maya veste uma roupa de astronauta. Está com os braços abertos e sorri.

Marie Curie, Dorothy Hodgkin, Maria Goeppert-Mayer, Claudia Goldin: sabe o que essas mulheres têm em comum? Todas contribuíram para a ciência, receberam o Prêmio Nobel e, é claro, já foram meninas! 

No Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, somos convidadas e convidados a refletir sobre a participação e a representatividade feminina ao redor do mundo. Criada em 2015 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a data é celebrada anualmente com o apoio da UNESCO e da ONU Mulheres. 

Este é um assunto necessário, pois a importância do protagonismo feminino na ciência oferece novas perspectivas e constrói um futuro mais equitativo e justo para todas as pessoas. E teria coisa melhor do que viver em um mundo onde fossemos vistos sob a mesma perspectiva? 

Nesse artigo, trazemos a contribuição de Betty Chu, nossa Head de Data & Linguistics (Dados e Linguística), para conversar sobre os desafios enfrentados e conquistas alcançadas durante a sua trajetória profissional — e, é claro, falar sobre acessibilidade digital. Continue lendo!

A data representativa nos leva à reflexão: estamos incentivando nossas meninas a sonharem com a carreira científica? 

Enquanto elas ganham brinquedos como panelinhas e bonecas, em 2016 os meninos ganharam três vezes mais brinquedos científicos. Esse gesto, que parece simples, mas repleto de significado, reflete como as meninas são afastadas da ciência desde a infância, começando dentro de casa. Por isso, é preciso encorajar a sua curiosidade!

Quando menina, eu era muito curiosa. Era aquela criança que desmontava a furadeira e a televisão, sabe?  – Betty Chu sobre a sua infância.

Segundo a UNESCO, mulheres representam apenas 33,3% dos pesquisadores globais e 35% de estudantes nas chamadas STEM (sigla em inglês para determinar as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). 

No contexto brasileiro, mulheres são a maioria entre pessoas matriculadas no ensino superior, mas minoria nas ciências exatas, engenharia e computação.

Na faculdade que fiz (Bacharelado em Estatística no IME da USP), eu era uma das únicas mulheres da turma – diz Betty, sobre seu ensino superior.

Declarações como a da Betty são muito comuns – tanto no ambiente escolar quanto no ambiente profissional. 

Dados sobre a visibilidade feminina no mercado de trabalho 

No cenário corporativo do Brasil, estudos divulgados pelo Instituto Vivo em 2024 mostraram que a participação das mulheres era de 39% em empregos de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), mesmo sendo mais qualificadas (9,9% com pós-graduação contra 8,2% de homens em cargos de diretoria e gerência). 

Além disso, elas correspondem apenas 37,7% dos empregos em T.I (Tecnologia da Informação) e 36,7% em Software.  Ao que tudo indica, mulheres representam menos de 1% da força de trabalho tecnológica no país.

No entanto, mesmo que tímido, o cenário está mudando! Segundo dados da Brasscom, a quantidade de mulheres ocupando cargos de tecnologia cresceu 1,5 ponto percentual. Uma pequena vitória, mas de grande relevância!

Fotografia de Betty Chu, Ela é uma mulher de cabelos castanhos, com traço  orientais, que usa óculos de armação preta. Está sentada, com os dois braços na mesa. O braço direito apoia sua cabeça.

As empresas, enquanto agentes de mudanças na sociedade, têm um papel fundamental nessa transformação. Algumas ações podem ser feitas para equilibrar essa proporção, como a implementações de ações de diversidade & inclusão, a criação de comitês e a oferta de vagas afirmativas para mulheres cisgênero, transgênero e travestis. 

Inclusive, segundo o Panorama das Estratégias de Diversidade no Brasil da Blend Edu, 88,9% das empresas brasileiras já designam um orçamento específico à diversidade, reconhecendo essa tendência como um passo essencial para o futuro.

Mostrando um pouquinho dos nossos bastidores e apresentando quem faz acontecer por aqui, que tal levar conhecer um depoimento real, de uma mulher que não somente trabalha com tecnologia, como também é Head de Data & Linguistics (Dados e Linguística) em uma das maiores referências em acessibilidade digital do mundo? Confira agora!

Fotografia de Betty Chu, Ela é uma mulher de cabelos castanhos, com traço orientais, que usa óculos de armação preta, vestindo roupas azuis. Ela está ao lado do logo da Hand Talk, presente em sua sede (Maceió - Alagoas - Brasil).

BC (Betty Chu) — Olá! Claro, com prazer. Passei grande parte da minha carreira trabalhando em banco, aplicando meus conhecimentos em matemática e estatística dentro da área de Tecnologia da Informação.

Na época, programava e fazia modelos, atuando na área que hoje chamam de Machine Learning.

Comecei a trabalhar com dados em um projeto de auditoria do Banco Central, onde eu era a única mulher entre outros 4 profissionais. Foi a vontade de fazer o certo [e de entregar um bom trabalho] que me fez desbravar caminhos para essa área. E foi uma ótima escolha, pois, hoje, o mercado de dados está em expansão!

BC — Na época da faculdade, eu acreditava que só veria a inteligência artificial funcionando em 30 anos, e hoje trabalho com ela todos os dias. Isso me encanta!

A tecnologia é fantástica e pode conectar muitas pessoas. Nosso Hand Talk App, por exemplo, elimina barreiras de comunicação, sendo também um apoio para estudantes e simpatizantes de Libras e ASL se conectarem cada vez mais ao universo surdo.

E quanto ao nosso Hand Talk Plugin, ele é a representação de como a tecnologia não é um segregador, mas sim uma ferramenta de inclusão

BC — Muito pela falta de referências de outras mulheres, e por questões familiares, escolhi a carreira na administração e me arrependi já no primeiro semestre (risos).

Consegui convencer meus pais a prestar vestibular novamente e entrei no Bacharelado em Estatística no IME da USP. Mesmo assim, eles achavam que eu seria professora de matemática. Hoje em dia, não me vejo fazendo outra coisa.

BC — Sim. Antes da Hand Talk, sempre fui minoria, até enquanto liderança. Frequentemente me confundiam com secretária, perguntando “o responsável pelos dados vem?” e eu respondia “sim, sou eu.”. Enfim, o famoso viés inconsciente.

Sempre tive que me balizar muito. Aqui na Hand Talk, felizmente, tenho mais autonomia, pois sinto que a diversidade é exercida no dia a dia.

BC — Eu diria “Vá em frente e não desista. É a sua carreira, a sua vida. Precisamos de mais mulheres na tecnologia, mais pontos de vista e formas de pensar, pois a diversidade sempre enriquece muito.

Ao longo da história, muitas mulheres fizeram contribuições incríveis, mas muitas não foram reconhecidas. Precisamos continuar lutando para que o nosso legado seja, enfim, valorizado”. 


A diversidade e a inclusão também podem acontecer entre as empresas e os seus consumidores. Que tal oferecer uma web mais acessível com o nosso Hand Talk Plugin?

Fundo laranja. Texto em branco, escrito "Abra as portas do seu negócio para milhões de pessoas que ainda não são impactadas. Conheça o Hand Talk Plugin!";