Regionalismo e variações linguísticas na Libras: exemplos e curiosidades
Você sabe como a Libras surgiu? Se você nos acompanha aqui no blog há algum tempo, já deve saber a resposta. Para quem está chegando agora, vamos te fazer um resumo sobre a origem dessa língua tão incrível. Confira com a gente! 😍
A Língua Brasileira de Sinais nasceu como uma mistura da Língua Francesa de Sinais, com alguns sinais já usados pelas pessoas surdas brasileiras. Ela foi criada por volta de 1850, junto com a fundação do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). Só depois de longos 152 anos, em 2002, a Libras foi reconhecida como uma língua no Brasil.
Aprender um pouco da história da Libras é importante para entendermos que a Língua de Sinais não é universal. Inclusive, existem várias curiosidades sobre ela que poucas pessoas sabem. Uma delas, é que na Língua Brasileira de Sinais também existem regionalismos, assim como na Língua Portuguesa.
O que são variações linguísticas da Libras?
O regionalismo é um tipo de variação linguística, mas o que isso significa? As variações são fenômenos que acontecem quando um mesmo idioma sofre alterações diversas. Elas podem ocorrer com base nas diferentes idades, gêneros, costumes, tradições, e claro, regiões geográficas de seus falantes. As variações linguísticas mostram a vitalidade de uma língua!
E como a Libras é a Língua Brasileira de Sinais, nada mais natural do que apresentar variações próprias! Confira três tipos:
Variação Regional ou Regionalismo
Em Português, conhecemos alguns regionalismos bem comuns, que sempre viram assunto quando pensamos em coisas que têm nomes distintos em lugares diferentes. Talvez o exemplo mais famoso de todos seja a mandioca, também conhecida como macaxeira, aipim, ou até castelinha. Existe também o semáforo, que pode ser chamado de sinaleiro ou farol. E não podemos esquecer do grande debate: é bolacha ou biscoito?
Chamado até de sotaque, na Libras acontece a mesma coisa, e são inúmeras as palavras que possuem mais de um sinal para descrevê-las. Separamos algumas delas para te contar a diferença de sinalização em cada canto do nosso país.
Solteiro: No Nordeste e no Sul, o sinal para solteiro é muito parecido, mas a sinalização é oposta um em relação ao outro. Assim, a mão fica deslocada na frente do corpo, em ponto de articulação.
Festa: No Sul, o sinal usado para festa se parece com o que se usa para dizer “surpresa” no Nordeste, só que invertido.
Branco: Existem três sinais diferentes. Por exemplo, o sinal de branco do Sul é utilizado igual ao sinal de ouro/brilho do Nordeste.
História: No Nordeste, dois sinais podem ser usados para se referir a história. Um deles, no entanto, também é usado para a palavra lembrar, dependendo do estado, utilizando expressões faciais diferentes.
Ou seja, os sinais em Libras podem variar nas diferentes regiões do Brasil e refletem a cultura local.
O HandTalker Darley Goulart, educador de Língua de Sinais, gravou uma série explicando essas diferenças! Confira o vídeo sobre variação regional:
Variação histórica
No Português, várias palavras mudaram ao longo do tempo: “vossa mercê” virou você, “vossa senhoria” virou senhora, e até a grafia mudou em alguns casos, como “vôo” que virou voo depois do último acordo ortográfico.
E com a Libras, não é diferente! A variação histórica é referente às mudanças que os sinais recebem ao longo dos anos.
Elas podem acontecer por diversos fatores: movimento das mãos, sinais compostos que se tornaram únicos, ou até mesmo sinais que antes eram normalizados, mas se tornaram ofensivos ou preconceituosos.
Assista ao vídeo em que Darley explica tudo sobre as mudanças históricas na Libras:
Variação social
A última variação linguística da nossa lista!
Ela acontece quando os sinais são influenciados por contextos sociais, como idade, escolaridade ou até contato com a comunidade surda — sem, necessariamente, mudar o significado do sinal.
É o caso até da Cena, uma Língua de Sinais emergente do sertão do Piauí. Ela definitivamente é mais nova do que a Língua Brasileira de Sinais, mas não surgiu ontem. A Cena já está na sua terceira geração de falantes, e os sinais foram todos criados pela própria comunidade local. Ela se tornou muito relevante tão rápido, que pesquisadores do Brasil e do exterior já estão produzindo um dicionário de imagens entre Cena e Libras para preservar a língua. Isso representa mais uma grande conquista para as pessoas surdas e deficientes auditivas do nosso país!
Assista ao vídeo do Darley sobre a variação social:
Conheça tudo sobre Libras no Hand Talk App
Bom, já deu pra perceber a pluralidade e diversidade dentro da própria Libras, certo? Como mostramos até aqui, as variações linguísticas estão em todo lugar!
A Libras é uma língua rica e viva, cheia de expressões, regionalismos e até gírias! Por isso mesmo, estar sempre em contato com ela é fundamental.
Ainda existem vários entraves para que a sociedade reconheça as Línguas de Sinais como oficiais. Um ótimo primeiro passo para derrubar essas barreiras é entender sobre as suas histórias, e começar a aprender a se comunicar por meio delas,
A boa notícia para você, é que já pode começar a fazer isso com o Hand Talk App, nosso tradutor de bolso para Línguas de Sinais. Lá, você pode encontrar várias outras variações linguísticas de sinais, além de conseguir acessar nossos dicionários educativos. E aí, está esperando o que para começar a aprender Libras?
