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O protagonismo de pessoas com deficiência na prática

Fundo preto. Ao redor da imagem, ilustrações de digitais coloridas. No centro, pessoa com deficiência exercendo o protagonismo. Embaixo o logo do Link Festival.

Segundo o último Censo do IBGE de 2010, 24% da população brasileira, ou seja, quase 46 milhões de pessoas do país possuem alguma deficiência. Dessas, apenas pouco mais de 400 mil estão empregadas. Ocupando menos de 1% dos empregos formais. Mesmo com a Lei de Cotas, que garante que uma parcela das vagas disponibilizadas pelas empresas deva ser destinadas a estas pessoas, ainda assim nem sempre ela é cumprida.

Infelizmente ainda é raro encontrarmos cargos de liderança preenchidos por pessoas com deficiência. Atualmente, vivemos em um mundo pensado e governado, na grande maioria das vezes, por pessoas sem deficiência. Isso acaba criando ambientes com muitas barreiras, pois a acessibilidade é quase sempre negligenciada por quem não precisa dela. Isso é um grande erro, porque todas as pessoas estão sujeitas a dependerem de recursos de acessibilidade. Seja por adquirirem uma deficiência transitória, como quebrar um braço ou uma persa, seja para ter um dia a dia mais dinâmico, como assistir um vídeo sem áudio, mas com legendas.  

Se pessoas com deficiência não ocupam espaços de tomada de decisão, se não são ouvidas e representadas, não podem decidir o que é melhor para si próprias e acabam ficando à mercê de um sistema capacitista e que não dá a devida atenção às suas causas. Por isso que a representatividade dessas pessoas, tanto no mercado de trabalho, quanto na sociedade em geral, é imprescindível para contemplar suas questões. Falamos tanto sobre a diversidade e o pluralismo, que devemos colocá-los em prática. Afinal, quanto mais pessoas diferentes construindo e fazendo parte dos processos, mais resultados criativos obtemos. 

Talvez você já conheça a frase “Nada sobre nós sem nós”. Esse é um lema que carrega um grande significado: não é possível pensar em ações para pessoas com deficiência sem contar com elas no desenvolvimento. Foi pensando nisso que nasceu a 5ª edição do Link: festival digital de acessibilidade. Com o conceito “Identidades que transformam o mundo”, vamos discutir sobre o protagonismo das pessoas com deficiência. Isso significa não apenas falar sobre elas, mas fazer com que ocupem seus lugares por merecimento. Pensando nisso, o evento contará com 4 dias de conteúdos gratuitos e acessíveis  sobre tecnologia, comunicação & marketing, gestão de pessoas, diversidade & inclusão, e evolução. E é sobre este tema central que vamos falar por aqui!

Pessoas com deficiência exercendo o protagonismo

É muito importante levantarmos a pauta da diversidade e da inclusão, levando essa discussão para o nosso trabalho, grupo de amigos, familiares e outros lugares que pertencemos. Compartilhar esse conhecimento é fundamental para que as pessoas com deficiência possam ocupar os lugares que lhes são por direito, pois é só assim que suas necessidades serão melhor atendidas. 

Por exemplo, para a definição do tema do Link Festival 2022, quem esteve à frente desse processo foi o Roberto Castejon, que é designer gráfico aqui na Hand Talk. Ele é surdo e se comunica através da Libras (Língua Brasileira de Sinais). Além disso, a programação do evento está recheada de pessoas diversas, que representam diferentes identidades de pessoas com deficiência e também sem deficiência. A ideia é aprender com quem realmente entende do assunto! Com isso, teremos diferentes perspectivas sobre a acessibilidade, diversidade, inclusão e como podemos usar a tecnologia como aliada para construir um futuro mais justo para todas as pessoas

Diversidade entre as pessoas com deficiência

Não, as pessoas com deficiência não são todas iguais! Não podemos colocá-las na mesma caixinha. Cada uma possui a sua própria identidade. Claro, não existe uma pessoa igual a outra, certo? Isso porque cada uma tem sua história de vida, sua personalidade e suas características. Cada deficiência proporciona seus desafios, assim como também as torna únicas por serem quem são. 🙂 

Por exemplo, uma pessoa surda enfrenta muitas barreiras de comunicação no seu dia a dia, já uma pessoa com paraplegia encontra dificuldade com a falta de acessibilidade arquitetônica das ruas e prédios. 

A forma com que experienciamos o mundo é o que constrói quem somos. As pessoas com deficiência, cada uma com o seu jeitinho, possui uma bagagem, um conhecimento, o qual todas as pessoas precisam aprender a ouvir. Por isso, vale ressaltar mais uma vez a importância do lugar de fala e de incentivar sua representatividade na sociedade. É assim que viveremos em um amanhã mais diverso. 

Protagonismo na prática 

Se você não possui nenhuma deficiência, você também pode contribuir para colocar tudo isso em prática! 

Para começar, que tal apoiar iniciativas de inclusão na sua comunidade? Certifique-se que no seu trabalho estão sendo cumpridas as metas de inclusão para as vagas. Se possível, ofereça oportunidades afirmativas para as pessoas com deficiência e ainda em cargos de tomada de decisão. E mais! Se informe, estude sobre o assunto para ficar por dentro de como promover mais autonomia para elas no dia a dia. Entenda como você pode ajudar a dar voz a estas pessoas. Valorize a diversidade, vista essa camisa! Rompa preconceitos e se aproxime de pessoas com deficiência, aprenda com elas como você pode começar a fazer a diferença!

E se você é uma pessoa com deficiência, busque emprego em empresas que demonstram publicamente o seu interesse na diversidade e inclusão. Normalmente estes são lugares mais acolhedores e respeitosos. Levante a bandeira da acessibilidade e inclusão, levando essas discussões para dentro das empresas. Use as suas redes sociais, ou outros canais de comunicação, para aumentar o poder de alcance dessa pauta. Reivindique os seus direitos, como os previstos na LBI (Lei Brasileira de Inclusão). Exija que a acessibilidade esteja presente no seu trabalho, principalmente nas ferramentas e canais utilizados para cumprir as suas demandas. Busque informações e esteja sempre por dentro de novas ferramentas que possam facilitar e promover mais autonomia no seu cotidiano . 

Tudo começa com o nosso desejo sincero em fazer a diferença e com uma boa dose de conhecimento! Então, faça a sua inscrição no Link Festival e junte-se a nós nessa missão! Vamos juntos promover e apoiar o protagonismo das pessoas com deficiência, e assim começar a transformar o mundo! Nos vemos lá? 

Fundo preto. Do lado esquerdo, o logo do Link e a data 8 à 11 de agosto. No centro está escrito "O maior festival de acessibilidade digital do Brasil vem aó! Do lado direito "Faça sua inscrição"
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