8 filmes sobre cultura e pessoas surdas que você precisa assistir
A sétima arte (cinema) tem a capacidade de nos transportar e envolver com outros universos, cenários, histórias e personagens! E quando são filmes que abordam assuntos importantes, o efeito é ainda mais intenso. É o caso desses sete filmes que abordam a identidade, a comunidade e a cultura surdas.
Se você tem interesse em conhecer mais sobre pessoas surdas, prepare a sua pipoca e leia este guia da Hand Talk, referência em acessibilidade digital, com a nossa seleção até o final!
» Veja também: Cripface: como a representatividade incorreta prejudica a inclusão de pessoas com deficiência
1. O Milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker)
Um clássico! Drama biográfico estadunidense em preto e branco, baseado na história real de Anne Sullivan (interpretada por Anne Brancroft) e Helen Keller (Patty Duke).
Helen (1880–1968) foi uma escritora, conferencista e ativista social norte-americana, e a primeira pessoa surdocega da história a conquistar um bacharelado.
Hoje em dia existem diversas formas de comunicação acessível, como a língua de sinais tátil e Tadoma (conheça mais no nosso artigo O que é surdocegueira?), mas até os sete anos, Helen era tratada como muitas pessoas surdocegas em sua época: sem conseguir se comunicar. E é justamente a descoberta e o ensino da língua de sinais tátil que é retratada no filme, ensinado pela professora Anne!

A conexão entre a educadora e a sua aluna, o desenvolvimento da língua de sinais tátil e o brilhantismo de ambas tornou conhecido o potencial das pessoas surdocegas e com outras deficiências, em meio a uma sociedade capacitista — afinal de contas, Anna também era uma pessoa com deficiência visual.
E para finalizar, uma curiosidade: Helen Keller e a atriz que a interpretou, Patty Duke, se encontraram antes da produção do filme, trazendo um senso de veracidade ainda maior ao longa.


Na foto da esquerda, Helen Keller ao lado da professora Anne Sullivan. Na foto da direita, Hellen ao lado de Patty Ducke, atriz que a interpreta.
Ano: 1962
Duração: 1h46m
Onde assistir O Milagre de Anne Sullivan: Amazon Prime Video e Apple TV. Também é possível assistir no YouTube, clicando aqui.
2. E seu nome é Jonas (And your name is Jonah)
Filme sensível e necessário, o drama retrata parte da infância de Jonas (Jeffrey Bravin), de sete anos, diagnosticado erroneamente como uma pessoa com deficiência intelectual.
Jonas não tinha um desenvolvimento pleno e saudável para uma criança de sua idade, até que sua mãe conhece pessoas surdas. Enfim, Jonas é matriculado em uma escola que utiliza ASL, e descobre que o que lhe faltava é essencial na vida de todos, porém negado para muitos: comunicação.
Com Jonas, aprendemos como o acesso à informação pode ser transformador na vida de pessoas com e sem deficiência — e, em se tratando de pessoas surdas, como o conhecimento de sua própria cultura e língua de sinais é essencial para o senso de pertencimento e inclusão social.

Também são abordados o capacitismo, o ouvintismo e a discriminação contra pessoas surdas, que impedem especialistas de entenderem as necessidades específicas de Jonas, por suporem que ele é “incapaz”, negando o seu direito de se comunicar.
Por fim, uma curiosidade: Jeffrey Bravin (que fez o papel de Jonas) é de fato uma pessoa surda, e hoje é Diretor Executivo da American School for the Deaf in West Hartford, mestre em educação para surdos, em administração e supervisão escolar, e doutorando em liderança educacional.
Ano: 1979
Duração: 1h34m
Onde assistir E Seu Nome É Jonas: É possível ver no YouTube, clicando aqui ou buscando pelo nome do filme.
3. Nada que eu ouça (Sweet Nothing in my Ear)
Seu filho torna-se surdo aos quatro anos. Você colocaria implante coclear nele, conhecendo seus riscos? É justamente esta a decisão abordada no filme.
O drama estadunidense retrata as diferentes perspectivas entre pessoas surdas e ouvintes, já que Laura (Marlee Matlin) é a mãe surda, e Dan (Jeff Daniels) é o pai ouvinte, de Adam (Noah Valencia), que entram em uma disputa judicial para definir a implantação coclear da criança.
Afinal, o que é prioridade para uma pessoa surda? O que é saúde? O que pode ser considerado benefício?
O filme aborda temas importantes, como identidade e orgulho surdos.

Ano: 2008
Duração: 2h
Onde assistir Nada Que Eu Ouça: É possível ver no YouTube, clicando aqui ou buscando pelo nome do filme.
4. A Linguagem do Coração (Marie Heurtin)
Estamos na França, no final do século XIX. A jovem Maria (Ariana Rivoire) é surdocega e, devido à falta de conhecimento e capacitismo da época, vivia à mera existência.
Seu pai, um artesão modesto, a envia para o Instituto Larnay, entidade católica conhecida por atender jovens surdas, onde a irmã Margueritte (Isabelle Carré) a ensina a Língua de Sinais Tátil para se comunicar.
O drama francês traz visibilidade à surdocegueira, principalmente ao ter uma atriz surda e com deficiência visual no papel principal, e foi vencedor do Grande Prêmio Variety Piazza no Festival de Locarno 2014.
E que tal mais uma curiosidade? O enredo é inspirado em uma história real, e a partir de Maria e Margueritte, outras jovens surdocegas foram educadas na instituição – acompanhadas pela própria Maria.
Ano: 2014.
Duração: 1h35m
Onde assistir A Linguagem do Coração : Apple TV.


Fotografia real de Maria e Margueritte.
5. O Som do Silêncio (Sound of Metal)
Mais um drama estadunidense para a lista! Este conta a história fictícia de Ruben (Riz Ahmed), que se torna uma pessoa surda. O filme retrata a descoberta da sua identidade surda, já que vivia como ouvinte.
O diferencial da história está em retratar a perspectiva de uma pessoa (antes) ouvinte e seus “pré-conceitos” sobre a realidade surda. Ao longo da história, as preocupações dão lugar a um empoderamento anticapacitista, com pitadas de autoconhecimento.
Recebeu seis indicações ao Oscar 2021: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição e Melhor Som, ganhando a última categoria.
E vamos para a curiosidade do filme? O diretor Darius Marder é neto de Dorothy Marder, fotógrafa e ativista surda que levantou a bandeira da legendagem em filmes. Segundo ele, o filme foi dedicado à sua avó.

Ano: 2019.
Duração: 2h
Onde assistir O Som do Silêncio: Amazon Prime Vídeo e Apple TV.
6. A Família Bélier (La Famille Bélier)
Na penúltima posição da nossa lista, uma comédia francesa! O filme retrata uma jovem de 16 anos ouvinte, que tem pais e irmão surdo — ou seja, uma Coda.
Paula (Louane Emera) têm algumas responsabilidades a mais que uma adolescente cotidiana: em um mundo ouvintista, onde poucas pessoas conhecem a Língua de Sinais Francesa (LSF), ela acaba sendo a “intérprete” da família em assuntos financeiros, administrativos e até médicos. Até que Paula se vê em um dilema: deve seguir seus sonhos, ou ficar com a família?
A comunidade surda teve críticas mistas em relação ao filme. Apesar de divulgar o que é ser Coda, os personagens surdos são estereotipados e interpretados por ouvintes, o que pode ser classificado como cripface, além de ser desrespeitoso.

Ano: 2014
Duração: 1h46
Onde assistir A Família Bélier: Apple TV.
» Você sabia que a Língua Brasileira de Sinais teve origem na Língua de Sinais Francesa? Saiba mais em Libras: o que é, quais os principais sinais, alfabeto e números?
7. Coda (No Ritmo do Coração)
Versão estadunidense de A Família Bélier, Coda é considerado um marco na história da cinematografia, por ser um filme que tem uma parte significativa do elenco composta por pessoas surdas interpretando personagens surdos!
Sua estreia aconteceu no Festival Sundance de Cinema (Park City, Utah) 2021, e a Apple adquiriu seus direitos de distribuição por 25 milhões de dólares, recorde do festival! O longa também venceu o Oscar 2022 de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante; e o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme Dramático.
Teve a aclamação de grande parte da comunidade surda por representar personagens surdos como pessoas independentes, autônomas e ativas política, financeira e sexualmente.

E para quem tem curiosidade de saber: o filme se chama Coda porque esta é a abreviação de Children of Death Adults (criança de adultos surdos, em tradução livre). Trata-se de uma criança ouvinte criada por familiares, normalmente pais, surdos. Fazem parte da comunidade surda, e “revezam” suas realidades entre o “mundo dos ouvintes” e o “mundo surdo”. Conheça mais sobre esse termo e tudo que ele representa no nosso artigo Você sabe o que é ser CODA?
Ano: 2021
Duração: 1h51
Onde assistir Coda (No Ritmo do Coração): Apple TV e Amazon Prime Vídeo.
8. O Presidente Surdo
Documentário estadunidense de 2025, o longa conta a história do protesto estudantil de 1988 na Universidade Gallaudet (localizada na cidade de Washington, capital dos Estados Unidos).
Na época, a instituição (que até hoje é 100% dedicada à cultura surda) foi duramente criticada por seus alunos ao eleger um presidente ouvinte em detrimento a outros candidatos surdos. Alvo de protestos, boicotes e comícios, os estudantes conseguem que o cargo seja ocupado pelo primeiro presidente surdo da Gallaudet, Dr. I. King Jordan.
Tendo uma estreia mundial no Festival Sundance, o filme exibe, ainda, entrevistas com líderes do movimento, e a técnica narrativa “Deaf Point of View”, baseada, como o nome dá a entender, no ponto de vista da pessoa surda.
Mais do que um documentário, é uma verdadeira imersão na cultura surda, retratando a articulação e a força da comunidade.

Ano: 2025
Duração: 1h21
Onde assistir O Presidente Surdo: Apple TV
Importância da representatividade nos filmes
“Representatividade é ver uma pessoa igual a mim conquistar lugares que antes não me via”: essa frase dita por Thalya Teles, pessoa surda-oralizada e Handtalker em um encontro interno da Hand Talk, expressa bem essa importância.
Ver você, sua realidade e sua história representados, desde que de forma realista e livre de suposições ou “pré-conceitos” errados, é um verdadeiro símbolo de inclusão e diversidade! E se esse protagonismo também acontecer nos bastidores e nas tomadas de decisão, o potencial transformador será ainda mais completo.
Celebramos a representatividade no Hand Cine, ação interna da Hand Talk, quando assistimos juntos, de forma online e remota, ao filme CODA!

“Hand Cine é uma experiência única que combina inclusão, cultura e aprendizado, promovendo um espaço acessível e enriquecedor para a comunidade surda” – Lauro Neto, pessoa surda e Handtalker do time de Customer Success.
“Esse filme é muito especial, e ter tanta gente querendo se aproximar da nossa cultura, só deixou mais especial a exibição!” – Marcella Marrara, CODA e Handtalker do time de Customer Success
“Esse tipo de dinâmica fortalece não somente a cultura da empresa, mas também a nossa relação como colegas (e humanos até)!” – Sara Paulo, do time de Marketing.

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Quer saber mais sobre representatividade? Assista ao Painel Será que a publicidade reflete a diversidade da sociedade?, apresentado no Link Festival 2024, o maior festival de acessibilidade digital da América Latina, clicando aqui.