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Janeiro Branco e a saúde mental das Pessoas com Deficiência

Capa blogpost janeiro branco. Imagem retangular na horizontal com fundo na cor amarela. Ao centro a ilustração de uma cabeça de perfil com um coração ao centro. Ao lado dessa cabeça um laço na cor branca e o símbolo de acessibilidade.

Janeiro é o mês em que iniciamos os projetos prometidos no final do ano anterior. Aquele momento de recomeço, renovação e de tirar os planos do papel. Há alguns anos, mais especificamente a partir de 2014, ele também ficou conhecido como o mês de conscientização sobre os cuidados com a saúde mental, por meio da campanha Janeiro Branco, que vem ganhando cada vez mais força. 

Sabemos que devemos estar atentos e preocupados com a saúde de nossas mentes o ano inteiro, mas ter um mês e uma campanha dedicada a isso, só ressalta a importância do tema e desse cuidado que muitas vezes é negligenciado. Seja pela correria do dia a dia ou por questões muito individuais, a saúde mental nem sempre é uma prioridade e isso acaba refletindo em outros âmbitos de nossas vidas.

Esses reflexos são ainda mais impactantes, inclusive por não termos tantas políticas públicas voltadas a isso, na vida de Pessoas com Deficiência, pois muitas vezes são vistas apenas por suas deficiências e não como pessoas que precisam também desse cuidado. Esse é um longo assunto! Mas calma que vamos explicar tudinho sobre o tema neste texto. Acompanhe com a gente! 

O que é o Janeiro Branco?

Em sua maior revisão mundial sobre saúde mental, desde a virada do século, a Organização Mundial da Saúde revelou que em 2019, quase um bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental. O suicídio foi responsável por mais de uma em cada cem mortes e 58% destes suicídios ocorreram em indivíduos com menos de 50 anos de idade.

Diante desse cenário tão preocupante e que já vinha chamando a atenção muitos anos antes desse estudo, o movimento Janeiro Branco surge. Sua proposta é levantar discussões e sensibilizar a sociedade para a construção de uma cultura da saúde mental em nosso país.

A campanha está ocupando cada vez mais espaços e além do Brasil, hoje outros países já adotaram o Janeiro Branco, como é o caso do Japão, Cabo Verde, Angola, Portugal, Espanha, Colômbia e França.

O que significa Janeiro Branco?

Como dissemos no início do texto, janeiro é um mês repleto de reflexões, fechamentos e inícios de novos ciclos. E foi pensando nisso que ele foi escolhido para dar vida à essa campanha. É o tempo de parar para colocar as coisas em ordem.

 

Já a cor branca foi adotada por representar, de forma simbólica, “telas ou folhas em branco” em que é possível começar do zero, desenhar novas expectativas, sonhos e projetos que desejamos realizar. 

Quais os objetivos da campanha Janeiro Branco?

O objetivo principal do movimento é chamar os olhares de instituições, autoridades e das pessoas como um todo para as necessidades relacionadas ao bem estar e aos cuidados para uma mente mais saudável. É um convite para a população refletir sobre suas vidas, relacionamentos, hábitos e emoções, além de um grande alerta sobre os problemas relacionados à falta de atenção nesse contexto de nossas vidas. 

Por meio de campanhas na mídia, redes sociais e eventos o tema é discutido, dúvidas são sanadas, tabus combatidos e estigmas são derrubados. Afinal, é com informação que se confronta o preconceito!

Qual a importância do Janeiro Branco para as Pessoas com Deficiência?

Falamos muito sobre acessibilidade por aqui, mas você sabia que a falta dela pode influenciar na saúde mental das Pessoas com Deficiência? Vamos imaginar alguns cenários para ficar mais claro: 

  • Uma pessoa com deficiência física que quer ir a um show ou evento e estes não contam com banheiros acessíveis ou rampas de acesso;

  • Uma pessoa cega que tem interesse em comprar um produto online, mas ele não possui uma descrição correta e o leitor de tela não consegue trazer as características exatas para ela.

Esses são exemplos de situações enfrentadas por esses grupos e que geram uma frustração enorme, além de cercear sua independência e autonomia. 

A Lei Brasileira de Inclusão prevê que o Estado, a sociedade e a família devam assegurar à Pessoa com Deficiência a efetivação dos direitos referentes à vida e à saúde, mas infelizmente não é essa a realidade no nosso país.

A falta de inclusão e as barreiras de acesso a diferentes camadas da vida impactam diretamente na saúde mental dessas pessoas e na sua participação plena na sociedade. Muitas vezes Pessoas com Deficiências também são vistas apenas pelo viés de suas deficiências e não como seres que possuem diferentes necessidades e questões relacionadas ao bem estar mental como qualquer outra.

Por que cuidar da saúde mental das Pessoas com Deficiência dentro das organizações?

A pauta da saúde mental no trabalho vem sendo cada vez mais discutida, principalmente após a pandemia da COVID-19, em que muitos profissionais tiveram seus ambientes de trabalho alterados. Os efeitos causados por essas mudanças refletem até hoje em nosso dia a dia e na forma como trabalhamos.

Tivemos a adoção mais robusta do trabalho híbrido e as reuniões online são cada vez mais comuns. Esses reflexos foram ainda mais sentidos por Pessoas com Deficiência pela forma abrupta como tudo aconteceu e por conta das organizações não estarem preparadas para isso. 

Como fazer uma chamada online com um funcionário surdo e não contar com intérprete de Libras ou legendas? Como esperar a entrega de atividades de um colaborador cego e não disponibilizar os instrumentos necessários para que ele execute seu trabalho de forma remota? Foram inúmeros desafios enfrentados e descobertos ao longo do tempo. E assim perguntamos: como fica a saúde mental dessas pessoas ao se depararem com esses desafios? 

Antes mesmo da pandemia, a saúde mental de milhares de Pessoas com Deficiência já era impactada, devido a inúmeros casos de elas serem contratadas apenas pela motivação da Lei de Cotas e não exercerem a função na qual estudaram ou gostariam de trabalhar.

Isso acontece até hoje, como pôde ser observado em uma pesquisa realizada pela Noz Inteligência e a Hand Talk, onde foi apontado que dos 3.730 entrevistados, 36% estão empregados como auxiliares, aprendizes ou estagiários, enquanto 0% está na liderança. 

A frustração é real e recorrente na vida desses indivíduos, pois ambientes com altos níveis de estresse favorecem o surgimento de transtornos como ansiedade e depressão. E imagina o quão estressante é você trabalhar em um local sem nenhuma perspectiva de crescimento ou em um cargo pelo qual você não estudou? Por isso é importante que as organizações ofereçam um sistema de trabalho acessível, acolhedor e produtivo, no qual a conversa e a escuta sejam incentivadas em todos os níveis hierárquicos, em especial pela liderança.

Os programas destinados às Pessoas com Deficiência devem contar com a participação delas não apenas na ponta final, mas em todo o processo de construção. É entender seus desejos, anseios e o que elas almejam para suas carreiras.  

O que pode ser feito no Janeiro Branco e em todo o ano?

Já mostramos razões suficientes para que todas as pessoas levem a sério e cuidem da saúde mental, não é mesmo? Várias iniciativas podem ser tomadas para promover a campanha Janeiro Branco e o cuidado durante todo o ano. E aqui vão algumas delas: 

Comece por você!

Pare por um instante e reflita como está a sua saúde mental. Quais situações e atitudes trazem desconfortos e impactam em sua qualidade de vida e bem-estar. Como você pode evitá-las? Quais mudanças você gostaria de realizar para uma mente e corpo mais saudáveis? 

Influencie ao seu redor!

Seja alguém disposto a ouvir as pessoas que precisam do seu apoio. Se perceber algo diferente, pergunte se a pessoa que está à sua volta está bem. Às vezes, o simples fato de se importar faz uma diferença enorme. Converse sempre e quebre preconceitos! Muitas pessoas ainda acreditam que ter alguma questão relacionada à saúde mental é uma fraqueza. 

Informação é poder!

Procure disseminar informações úteis e verdadeiras sobre os cuidados com a saúde mental e quando um indivíduo precisa pedir ajuda.  Depressão não é frescura. Transtorno de Ansiedade não é apenas uma sensação. Divulgue a campanha Janeiro Branco, levante discussões saudáveis sobre o tema. É por meio da informação e da troca que podemos mudar o mundo. 

Conclusão

A saúde mental de toda a população importa! Além de cuidarmos de nós mesmos, precisamos estar atentos ao que acontece ao nosso redor e principalmente sermos os promotores de mudanças em nossa sociedade. A transformação pode começar com uma simples atitude nossa, seja como pessoas ou como profissionais. E se não sabe por onde começar, que tal compartilhar esse texto com alguém que você acredita ser importante saber mais sobre o assunto?

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